quarta-feira, 1 de julho de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015


(...) Estilo único. Não encontro nada parecido nem entre os beats e escritores “malditos”. Penso ser o que temos de melhor no momento.

Revista Substantivo Plural, acerca do meu malemolente libreto (Corpúsculo num Plano); restante do texto aqui. Corpúsculo num Plano pode ser comprado aqui.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Jeany vai ao cinema


Jeany vai ao cinema. Eu estou lá, e pergunto se está tudo bem, e se ela tem propriamente higienizado seu cachorro. Eu conheço uma velha cujo cachorro morreu ao não ser higienizado periodicamente. Meus pais ligaram para o caralho do Instituto de Auxílio aos Animais Abandonados, e não sei se lhe outorgaram o verdadeiro enterro cristão. Ora, Jeany, que prazer, porra, mil anos nessa bagaça né bóe. Jeany, me diz aí, que filme tu veio assistir mermo hein? Fora da galeria, em solipsismo poeirento, ebulia a tarde. Das chaminés erigiam-se no céu do centro colunas pétreas de fumaça oleosa engastadas no vidro das duas, como vulcões de documentário, num leito de mar de anonimidade tacanha, a sufocar os idiotas. Eu diria: eu e Jeany fomos ao estacionamento traseiro da galeria, onde folhas caducas jaziam esparsas, e lá ficamos rodando em nossas bicicletas no concreto, nós e nossas sombras abafadas. Mas convém apagar as bicicletas, e guardar, até o fim, e com todas as armas disponíveis, as ranhuras fractalizadas das calçadas, leitor imbecil. É imperioso apagar as bicicletas, eu disse, a Jeany ao menos, e reiterei aquilo sobre seu cachorro, antes que ele apodreça a vizinhança debandada quando você viaja para um país tru, e renda insustentável a siesta vespertina de pré-adolescentes gordas, em seus comoventes quartos celibatários. Um bairro é um zoológico, Jeany, de crocodilos tristes e banguelas, fitando seus televisores anos 80. Mas devíamos voltar, e ver seu filme, só nos dois nessa tarde transiente, que cê acha bóe? O dia é espúrio e nunca morreremos, realmente. Não acredite Neles, nos livros de História, nos cemitérios cenográficos, nos atestados de óbito - estes são outros diplomas. Falsificações fuleiras. A verdade está na tarde e na divina misericórdia da violência escrota. Nas madrugadas desperdiçadas, na excrescência imanente do Outro, na seção de duplo anal. Deixo Jeany na parada de ônibus, e ela desaparece sempiternamente num ônibus para dentro do estômago minotáurico do bairro, e nos desencontramos enfim, mas não se morre sozinho; a vida nunca foi tão ecumênica, para começo de conversa.