quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Daniel Francoy com a palavra:


A avenida mais imunda é o início
do que chamo de casa: uma fileira
de terrenos baldios com bichos mortos
apodrecendo entre o mato e as pedras;
torres emulando castelos de princesas
ou coqueiros de néon imitando praias
na entrada de motéis; carcaças de carros;
depósitos de materiais de construção
deixados ao léu; o entardecer
regurgitado por máquinas fumarentas –
a luz crua, escassa, puída
que resseca narizes e gengivas
(...)
Olá, inverno súbito nos estertores
de uma sexta-feira. Faz frio e metal
das placas de trânsito e dos carros estacionados
é o fio de uma espada gelada
(...)
Por vezes
dorme-se se com o coração acariciado
por um sussurro brando, por uma garoa,
e instala-se a suspeita
de uma manhã, de um céu
lavado estendido sobre a infinitude
dos subúrbios calcinados.


daqui e tal

Um comentário:

daniel disse...

obrigado pela atenção, bom amigo. vinda de você é uma grande elogio.