segunda-feira, 16 de junho de 2014

O sol retorce a savana, e o pianista está sentando ao piano. Trata-se de um Yamaha Baby Grands Série G, com a tonalidade e dinâmica ressonante abrangente dos pianos de cauda clássicos, uma excelente opção para salas e orçamentos pequenos. O pianista veste um casaco preto cortado na frente, com lapelas em cetim, com longas e finas abas traseiras, com calças pretas com duas faixas laterais, no mesmo material da lapela, com terminação traseira em "v", camisa branca gomada com frente lisa, um colarinho alto e gomado com botões de punho e laço branco, além de um colete branco de corte baixo, do mesmo material da camisa e laço, cortado por cima da linha de cintura do casaco, meias pretas de seda, e um sapato clássico preto de verniz. O sol causa-lhe desconforto. Entendiado há vários dias, vê quando macacos se aproximam e de pronto lembra de uma velha composição, registrada em notação pendereckiana, num papelote, bastante fudidaço, perdido no bolso da lapela, executando assim a canção. Os macacos batem punheta. Longe dali, o restante da população terrestre, ademais, bate punheta. Sob inspeção atenta, a inesperada sincronia revela-se banal e fortuita: aquela era a inauguração do Dia da Punheta no mundo, tão-somente. Anoitece e as estrelas sopram seu hálito frio no deserto. Foda-se.

Um comentário:

fochesatto disse...

é disso qu'eu tô falando.