sexta-feira, 24 de outubro de 2008

À venda




Os desenhos e cartuns desta página estão à venda. É, eu sei, era para haver um portfolio no carbonmade e todo esse elevado patamar de excelência e profissionalismo, ó, meus únicos e sinceros amigos; que é da velha glória irresistível da autopromoção? Mas por enquanto é isso. Incluam estes aqui no balaio:
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Contato: dliberalino@yahoo.com.br .

sábado, 27 de setembro de 2008

Juventude - I





Possuídos pelo espírito de Kropotkin bebês hipervitaminados dizimam suas famílias na sala-de-estar. Chore pelos Budas hipertensos, suas próstatas hipertrofiadas na placidez bovino-inseminativa da costa, cutucam as glândulas mutuamente para refrear o recrudescimento contínuo numa aceleração vertiginosa alcançando massa transfinita - a próstata universal leibniziana, causa sui ocupando a totalidade do espaço-tempo, colapsando por fim a realidade em um único buraco negro, nos bastidores o carismático entertainer Bozo espanca alcoolizado a célebre atriz da golden era Judy Garland – hit me baby one more time [risos e aplausos], estava então no auge da velhice quando aos 23 entrou intoxicada e sórdida procurando por emprego, o performancer lhe faz promessas de produtor aperta aquele traseirinho clássico como uma bela e abençoada sonata pontificial, tem planos para a eterna Dorothy; mais tarde interrompe o número de malabarismo descendo do palco devorando as cabeças histericamente entretidas de 74 crianças – "Eu tive uma mãe castradora", grita o showman imerso em sangue inocente; é surpreendido por uma chuva de dardos tranquilizantes disparados pela equipe da Taiwan Thunder Squad descendo de helicópteros reluzentes, soldados dependurados do teto desenvolvendo graus extremos de cumplicidade filantrópica genuína, etc. – realmente aborrecido, chega a noite e estou relaxando untado em loções corporais coletadas nos picos vulcânicos do Ararat detentoras de raras propriedades terapêuticas, ponho a cabeça da minha avó no microondas que explode disparando o apêndice vão da meretriz ignominiosa como uma bala atravessando continentes pulverizando o Empire State Building boom, a grande tragédia do século; não pôde ser evitada; o dia fatídico oprime nossas almas, o apêndice apocalíptico trouxe consigo uma era de insegurança e terror – ainda brincávamos no jardim então, veneno espalhado pelos C.E.M., atrofiando a capacidade de conexões interpessoais autênticas num raio de 1000 parsecs, cansa-nos rapidamente a mesquinhez dos néscios em procissão agora equacionada num horizonte previsível de eventos e risco controlável; fatura-se alto sobre a nanometria do dia, belo dia cheio de sol, os mais íntegros como eu acabam se lambuzando também. Tudo pelo que se viveria termina por definhar em presença da peste sutil. O lastro da infâmia conquistara minha atenção, le petit déjeuner dominical nulificado, um carisma infinito; desvelo as nádegas encantado.
Spock, deixe o garçom ineficiente de um famoso restaurante grã-fino viver, escrevi no bilhete - coloque os cintos, o caminhão cargueiro marca daquele vulcaniano irresistível creme de la creme tocado pelo destino atravessou célere a ponte levadiça e cortou o ar em slow motion como uma estranha bailarina Kirov a diesel, pousando exatamente sobre Pierre o garçom ineficiente. De repente, eu estava curado de toda miséria interior. O sol morria como um cristo hiperplásico diluindo na broncodilatação do ocaso, a quietude litorânea reprocessada. “Não se envergonham de ir à sua vida como a um concerto deplorável”, disse Spock acendendo um Malboro, seus poros brilhantes ao poente. Um projeto assinado e 99% das vezes arquivado. Veja essas hordas de almas definhadas, sucumbidas sobre si mesmas, olhe bem garoto. A solidão é um problema maior para os estúpidos. A amargura é quase sempre reduto da estupidez. Somos hordas estúpidas. Tal como no teatro somente aplaudimos nos momentos errados; os insetos são esmagados na multidão. Oh, o tempo não espera por ninguém whew! take it to the limit, cante como o pássaro, o pássaro gastrítico da vida, buscando na selva pequenas provisões de bicarbonato, como o filatelista enternecedor livre na floresta correndo coletando frutas; em sua simplicidade neo-marxista cante como o filatelista, sua ereção matinal interrompida, incorpore traços evidentes de materialismo dialético, não morda mais do que pode mastigar oh granny granny show me the money!, socando-lhe o estômago, chutando os testículos do maldito filatelista que faminto a exumava, à minha avó gorila, seu inviolável kit de limpeza de baço consumido pelo devir. Eu não sabia ainda que o negócio dos selos era pouco rentável, eram tempos osbcuros; sua relação com a falecida era estritamente nutricional. Enfiei-lhe o revólver entre as têmporas vacilantes. “Você exumou o sangue do meu sangue”. Ele tremia. Como alguém que ia morrer. Era um dom premonitório divino. “Você não está propriamente vestido para uma bala na testa”. Guardei o revólver. Então retirei de volta a arma e disparei. Eu matei um filatelista, eu fui amaldiçoado por trilhar um caminho profano, meus selos jamais colarão nas cartas com saliva novamente. Eu olho no espelho e sinto que estou diminuindo a cada dia, ficando menor e menor em todos os sentidos. E à noite quando saio nessas ruas, microscópico, impelido pela sensação reincidente de que falta algo ao dia, losers insones espectrais em postos e rodoviárias superpopulando o mundo trancados nos claustros espermáticos usuais, hotéis a 20 paus a diária, lendo uma Bíblia mórmon com garrafinha de água Indaiá sobre a TV em mute. Sua impassibilidade e afinal sua indiferença regulam a digestão dia após dia, aumentando a expectativa de vida. Há tempos não dou palavra com velhos conhecidos, embora ainda lembre das velhas canções; é natural, me sinto uma parte homogênea do lugar; claro e acessível como o resto, procura-se sem muito interesse por velhos formatos tornados mais simples, transparência de procedimento etc. O café está sempre uma merda no posto. Jogo na lixeira o sucedâneo da colher - um palito plástico – e fico ali com as lâmpadas clínicas vibrando tacitamente no meio do deserto secreto que invade a cidade após as 2 am., um Saara de sachês rasgados, máquinas de café expresso, beirutes industriais e heinekens – a árida, precisa ontologia das 2 am nas lojas de conveniência, para perdedores desenganados. São as próprias sombras desinteressantes petrificando as faces, amarelas em sonho farmacológico, e ali estou eu entre eles. Oh posto de gasolina, limbo dos frustrados; pregos que não conseguiram se divertir na cidade e se bastam com o restolho de vida noturna. “Aqui jaz o detrito terminal da possibilidade”, letreiro iluminado. Você vai à loja de conveniência, encontra algum conhecido, fala alguma merda e aí cara beleza? abreviando a conversa e aquele projeto?; tal e tal. Compre suas cervejas. O senso de participar de uma comunidade global porque viu os mesmos filmes cretinos e ouviu os mesmos paus-nos-cus. Oh boy, I’m horny. Terminando o café, me abranda a curiosa vontade de quebrar semáforos em cruzamentos. Parece o mesmo dia há 3 anos, provavelmente mais, eu sei que não tenho sido bom com o meu pau, essas putas não contribuem para minha contemplação elegíaca andando por aí impunemente como entulhos semióticos, esse é o ocidente e você tem duas possibilidades: ser miserável com ele, ser miserável sem ele. Podia ouvir pelo resto da madrugada os sussurros saindo das janelas da cidade como serpentes translúcidas, brancas, cheias de segredos sórdidos, vulgares, débeis e mesquinhos, pequenas perversões, cavando buracos em si mesmos e se enterrando dentro deles; você lembra de alguns funcionários, alguns parecem familiares, vozes póstumas confusas dos velhos pastiches de intimidade despertando uma inadvertida ternura geriátrica, mas agora sou o forasteiro melífluo, porque se você já esteve lá sabe que não se ouve nada à exceção de rangidos – da cama, quando revira cafeínica na superfície áspera do sono para acordar com vagas lembranças de inquietude, como se teletransportado diariamente, até a saturação, há transparência nisso – dias escoam, não é tão mau. São como os envelopes de cobrança chegando todo dia, você não abre faz anos, se acostuma a uma felicidade modesta.
A noite seguinte chegara num micro-segundo. Nizete me perguntou se eu queria uma coisa especial, sentada no meu colo. Ela devia perguntar isso o tempo todo. Uma tática razoável. Seu público tendia a ser circunscrito a freaks sociofóbicos demais para visitar um puteiro, párias hipertensos frustrados, anos de trepadas frígidas com esposas infiéis escorregando no pepino de alpinistas sociais e enfim recorrem a profissionais para compensar, mal-disfançando os vincos tortos deixados pelo fenecimento da humanidade própria e por décadas de onanismo autoconsciente, petrificando as glandes em pequenos Atacamas tristes. A coisa começa a parecer como lamber e esfregar paredes, e eles sonham com chicotes mágicos profissionais e com línguas mágicas profissionais ressuscitando os paus exangues do Ocidente. Eu queria algo especial? Eu não sabia, o que era especial? Acaba tudo em gemidos brilhantemente encenados, não me incomodam, mas desisto logo, ela sai arrastando sua cistite, minha libido arruinada por pornografia publicitária e idealizações. Aí deixa-se a coisa para trás. Eu já estava voltando da biblioteca pela Av. 23, postes, faróis e vitrines, imaginando se Nizete pensava em alamedas, se ela gostava de pensar como eu que a 23 era uma alameda. Alameda, alameda, alameda... uma alameda sem álamos, tal como são as alamedas. Não olhei para cima, mas ali no chão tinha uma lanchonete brilhando como um satélite, e me fez lembrar a noite clara na Várzea Nova, propriedade de um amigo dos meus pais. Mudando de margem na rua quando via alguém, e logo estava passando pelo ‘córrego’, um esgoto a céu aberto que lembra um rio numa reserva natural senão pelo odor de merda e as nuvens de detergente, ou seja lá o que fosse. Parava lá quando voltava da universidade para olhar aquelas nuvens sintéticas – desde criança gosto delas – e para ouvir o arrulho da água, que me fazia pensar em regatos reais e viagens, embora eu não tivesse consciência disso na ocasião. O som do esgoto equivalia às vezes a estar com pés submersos na lagoa do acampamento onde pescávamos quando eu tinha 8 anos, um lugar com grutas e água exata, você via o leito com nitidez, os peixes comiam pedaços de pão nos dedos das pessoas. Agora eu passava pela ponte, pensando monotematicamente, olhando a espuma lá embaixo no escuro até despencar em digressões. E aí passando a pensar monotematicamente sobre as digressões. Uma das coisas que pensei é que nunca estou no presente ou no passado, mas no futuro, esperando o instante em que a vida vai começar. De modo que tenho vivido num limbo, aguardando no vestíbulo da vida; um purgatório prepóstero. Quando começa a coisa efetiva? Quando tiver feito algo capaz de redimir minha mediocridade? Quando tiver dinheiro ou reconhecimento, imagina-se. Essas coisas não acontecem, e provavelmente não são satisfatórias, e não se pode viver para sempre à sombra de um mérito passado – além disso, é mais provável que só faça sentido continuar pela expectativa de alguma coisa, um objetivo qualquer, o que inelutavelmente condenaria a humanidade ao vestíbulo - nem tão eterno, pelo menos. Me apoiei na balaustrada de concreto, ainda apreciando a rede de escoamento. Só é possível viver para suprir insatisfações e concluir na hora da morte o indesejável, que o tempo todo se esteve preterindo viver quando viver era o preterimento, congelado à frente como um redemoinho imóvel consumindo a enseada, a espera fastidiosa, mas não se pode por outro lado abandonar todos os planos – mutatis mutandis todas as insatisfações –, e portanto tudo é meio estúpido. Não tem nada de tão especial em estar vivo, dizia a mim mesmo, olhando os padrões retangulares de concreto e vidro nos prédios; é assim para toda a natureza. Eis então a melhor perspectiva possível. Senti vontade de caminhar no parapeito, como se ainda tivesse 8 anos e esses impulsos não houvessem sido sistematicamente re-ajustados, ou esvaziados de significado. Não era tão perigoso, um homem sabe se equilibrar, de fato a maior parte do que se supõe perigoso é seguro e vice-versa, portanto tudo é igualmente perigoso, ou igualmente seguro. Mas não caminhei no parapeito. Continuei o trajeto para casa e havia colegiais explodindo em hormônios dentro de roupinhas coloridas, duas delas recostadas à placa fálica na entrada de um hotel, como efemerídeos orbitando o grande oásis fálico reluzindo na noite fria e impessoal.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Lipoaspire o superego



Recebo uma ligação. É o Dr. Klaus. Marco com ele uma cirurgia para remoção do meu superego. "Aqui está", diz, balançando meu superego imerso num líquido conservante vermelho dentro de um tubinho. Era mesmo um simpático pedacinho de encéfalo. "Amarrei essa corrente para poder usar como chaveiro, se quiser". Pensei em doar para uma Instituição de Auxílio ao Genocida Desempregado, acabei deixando na estante como decoração. Encontrei o tubo vazio ao lado do indivíduo obeso de portentosa barba que dormia nu sobre meu sofá de camurça, ao lado de duas prostitutas, ao lado de várias coisas não identificáveis, ao lado de poças de vômito, na manhã seguinte a uma comemoração em minha casa. Fui até o mencionado indivíduo, caminhando sobre um tapete de coma alcoólico que agora adornava a minha casa como um bucólico pomar genital. Deveríamos sempre nos esquivar de contatos malsãos. Acordei o misterioso organismo e perguntei se ele lembrava de ter bebido o meu superego. Conforme explicou, encontrara o frasco entre as mini-garrafas de martini e absinto, então bebeu o líquido vermelho e cuspiu fora "aquele treco nojento que tava boiando lá dentro". "Aquele treco que estava boiando lá dentro", expliquei, "era o meu superego". "Vai se foder", disse, voltando a dormir. Então fui até a cozinha para organizar – pelo critério de pertinência cultural a etnias devastadas, em ordem crescente de sobreviventes – os meus bibelôs magnéticos na porta da geladeira, e vi um sapo que me encarava ali parado, no chão. Fitei por alguns minutos aquela protuberância anfíbia da realidade, dando tempo necessário para o input da retina ser aceito pelo cérebro, arquivado e processado, então devolvido com um carimbo de “RECUSADO” pelo córtex visual – e um post scriptum: “Estou indo tirar férias num spa em Puerto Rico”. Aí uma mosca pousou à frente do sapo. Este fascinante anfíbio anuro automaticamente disparou sua língua, a qual se deteve hesitante antes de alcançar a presa. Ficou congelada naquela posição.

"De que ponto de vista metafísico - presumindo que uma tal premissa poderia com efeito proceder - seria eticamente justificável o reprocessamento de nutrientes deste inseto, visando meu benefício exclusivo, todavia às custas de sua vida?", disse uma voz advinda do interior do sapo. "Ora, excluindo do conjunto de 'axiomas' de um suposto sistema ontológico quaisquer imperativos categóricos ou princípios governantes universais, restaria porventura a possibilidade de alguma forma de 'igualitarismo ético imanente' para as moscas, em que a Imanência como um todo corresponderia a um unicidade estática, não-kinética; um estado de absoluta imutabilidade platônica singularista? Isto seria contraditório com a assunção inicial de ausência de princípios universais, quando não um mero artifício ex nihilo, é claro, mas-".
"Superego, é você?", interrompi.

Levei o sapo para fazer uma endoscopia, no mesmo hospital aonde levei para fazer lavagens estomacais comigo tantas garotas, mulheres que acendem a paixão platônica em minha efêmera glande; espécimes fêmeas do homo sapiens que, como uma chama ardente, um furor replicativo, despertam-me o Clark Gable darwinístico interior.

- Minha pequena flor de lótus gastricamente desapossada, vamos àquele outro endoscópio. O endoscópio do amor.

Por um golpe de sorte, meu superego havia sido apenas parcialmente digerido. O sapo retratou-se pelo vexaminoso mal entendido, e nos afiançou que, antes de ser acidentalmente transformado em anfíbio por um professor de tai chi chuan durante uma breve experiência homossexual numa piscina térmica natural do Tschyigen Grand Hotel (Alpes Suíços), era um bem-sucedido microempresário do ramo de equipamentos para auto-imolação. Eu lhe disse “Ei, por que não deixamos isso tudo pra trás e pegamos uma sauna?”. “Eu gostaria de ir com você, meu amigo, mas a minha espécie apenas sobrevive em climas temperados, e a mais leve variação de calor faria o meu pequeno corpo explodir, ou perder todos os privilégios na divisão de bens em caso de divórcio”. Lambeu os olhos com a língua, sutilmente. “Isso seria terrível”.
Assim, esquecemos a sauna e combinamos de nos encontrar na terça, para testar os limites neurofisiológicos do isolamento, privação de sono e abuso psicológico extremos. Marcamos de ficar numa prisão em Cabul, Afeganistão, para onde iríamos disfarçados de terroristas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

it. silo G6, bs. central nv. encom.




A enchente de distração devastou o ambiente doméstico do bom selvagem, a clareza de princípios do Papai Smurf. Desregulou a menstruação de sua filha bastarda Smurfete. Tivemos que dar cabo daquele vilarejo smurf, eu e o tenente Brock, aqueles malditos vermes sujos; tudo explodiu numa chuva de granadas supersônicas, invadindo os flancos numa unidade anfíbia da infantaria, quadrante 3. Lançando mísseis balísticos intercontinentais pela minha glande anti-radar. Uma prostituta cuspiu na janela do meu carro, ouvi gritos púberes contaminando a bosta jovial na noite de possibilidades, o ritmo excitante da cidade que nunca dorme; aceno para a procissão de colegiais zumbis inseguras sobre o tamanho de seus seios. Desenvolvem recalques eternos e perdem o controle sobre os filigranados mecanismos que regem suas vidas sociais ajustadas, como braços mecânicos de branco cromado encapsulando comprimidos em série – o claustro lhes impingiu a disfunção social e a amnésia; a ilusão drenou seus poderes. Estávamos entediados sobre o quadro geral.

- Ei Gostoso! É, Você Mesmo!

Boa música, bom papo e drinks deliciosos.

Sinta o calor de Natal, onde moram amigos e pessoas que você gostaria de conhecer e convidar para lugares, lugares onde você gostaria de andar de um lado para o outro, banheiros onde você gostaria de permanecer estático – eu paro ante um sensor de descarga [minha presença é ignorada] cruzando a atmosfera branca entre linhas eletromagnéticas invisíveis. Fariam a sua vida valer por um instante (as letras submergem no background etéreo). São as pequenas coisas que valem a pena e que esquecemos, porque você ficou míope de espírito, criança – Dê um presente a si mesmo e encontre esse alguém caucasiano, sudoríparo, esse jazigo feromônico que compreenderá sua inadequação ao protocolo majoritário vigente na presente jurisdição (oh, esta cláusula arbitrária etc.). Ouça a voz hormonal do universitário intimista. Deixe-se perder em seus braços firmes e acalentadores, o vocalizar compreensivo, o glorioso carisma da aura pubiana, quando se nos entorpecem os sentidos à noite no seu scooter reumático, banhados pela póstuma luz do estrogonofe. Dado que sua individualidade fragmentada caiu divinamente bem na minha terrasse, e eu estou reconfigurando definições de aridez em segredo, sentado ao seu lado [banco de passageiro] ouvindo alguma merda no mp3 player do deck – adulterava distraído nossas memórias conjuntas em norte a uma espécie de esterilidade total instantânea ≈ morte fulminante na banca de mestrado explodindo incontinente ao regaço do luar nas autênticas serranias gaúchas, ande paranóico para casa reconstrução cosmética – ei gostoso! É, você mesmo! [cadeias reiteradas de informação contraditória podem produzir modelos conflitantes]filtro de spam, exclusivo para computadores autoconscientes, ciborgues inseguros, clones beatnik com édipo e fixação anal produzidos e exportados em larga escala para a Coréia do Norte – sou o seu homúnculo estéril e agora, Nostradamus com a previsão do tempo. Eu não quis queimar o seu beagle em rede nacional, apenas segui à risca o meu mapa astrológico o que está acontecendo? Novos padrões de configuração para seu sentimento de culpa ei Gostoso! É, Você Mesmo! define acesso personalizado

[Coerência um ruído do processo etc. – tem experienciado déjà vu frequentemente?]

Permiti que sua namorada defecasse em meu lar, no vaso imbuído de valor sentimental que é o legado indelével do meu tataravô Desktop Mascarenhas Speak Spanish II. Era o mínimo que um amigo podia fazer por alguém que pode fazer o mínimo que um amigo pode fazer. Como mediar um encontro marcado à luz de velas entre minha cabeça e uma bala 38 mm, you self-obsessed pile of shitty white trash fear-driven solipsistic autopromotional wasted scum. “É a porra do Casablanca, fio, então é melhor começar a chorar”. “Fique peixe ol’ chum, sua namorada pode cagar o quanto quiser na minha casa. Mesmo que ela enfie um sprinkle no cu e saia jorrando bosta por todo lado - mesmo assim, não vou implicar. Mi casa su casa. Mi privada su privada” [Instanciação do Operador Universal] – o gás tóxico expelido pela sua namorada dizimou meu vilarejo; minha família devotada a afazeres tradicionais, impolutos pela compulsão vazia das multidões anônimas toxicologicamente dependentes de entretenimento homeopático. Minha família de ciborgues do futuro era o totem nunamiut da frugalidade pastoril. Em seus módulos internos de fissão nuclear, processavam apenas o verdadeiro pão montanhês, produzido com o autêntico trigo das montanhas. Era um povo simples, que sabia o valor de estuprar um carneiro. Uma gente humilde, que conhecia o significado de relações interespecíficas, bálsamo de Deus para a solidão nos pampas – estats. rct. revelaram que 76% da população rural são vit. de psicopatologias resultantes da superexposição a esposas e vagem; 69% sofrem de uma doença venérea, mais epidêmica que a AIDS, conhecida como matrimônio – e não foi outro senão esse o povo sofrido que estava lá quando precisamos de um ombro amigo no amor, e de um escudo humano na guerra. Pois esse é o caminho dos meus antepassados rurais, homens de suspensório que conheciam a importância da escravidão infantil enquanto método pedagógico e ademais recreativo, mantendo a tradição milenar de seus antepassados ruidosos homofóbicos de boa fé. Espíritos tolerantes que acolhiam a igualdade entre homens e pobres, negros e humanos, mulheres e animais. Não foi outro senão meu tio-avô que pioneiramente defendeu a liberdade feminina para cozinhar, costurar, parir, morrer quando espancada, apodrecer quando morta, evaporar quando podre, e hoje não é raro vê-las saindo de casa aos fins de semana, ou em feriados nacionais. Era esse o povo desprovido de complexidade psicológica cuja vida foi roubada – sem o mais simples e remoto titubear de clemência – pela instabilidade esfincteriana de sua namorada. Aquela que devastou minha árvore genealógica ao expelir uma nuvem tóxica cataclísmica de metano, dude, logo cooptada pela Al Qaeda em seus laboratórios subterrâneos dentre os quais metade apenas justificável por uma intensa fixação anal. Aqueles beduínos sujos finalmente conseguiram, Tucker o Estilista. Superaram em eficiência todas as nossas armas químicas de destruição em massa precedentes, e agora lambemos do pau deles as fezes dos nossos pais.
Agora, Sampaio, importamos carregamentos da fina barba islâmica. Do brioso pêlo pubiano árabe (toneladas e toneladas).
Nosso sangue é a tinta que sua prole muçulmana usa para pintar no primário.

Presenteei o Nogueira, meu cunhado, com um kit de caipirinha e outro de harakiri. No programa de entrevista, modelos conflitantes de informação derretem a cabeça da atriz mamária do seriado Baywatch.

*

A atração maior fica por conta da noite.

A sonda detecta um fator de tumescência lúbrica no cu do PM. Instala-se um clima de paz e harmonia; este é apenas mais um charme dessa atmosfera de descobertas. Ele procura sôfrego a silhueta do dildo primevo nos olhos monofásicos da noiva, anteposta a um referencial ideal estático no vazio. Sua identidade era o prurido militante no prepúcio do reitor; como o dia em que partimos, visto que não sabíamos quando rolaria a festa. Levamos nossas mães acorrentadas para a assistente social, aquele ser testosterônico e seu distúrbio glandular, timidamente escondida sob as camadas de pêlo. Em dias de lua cheia, transforma-se em humano, improvisei, mas você não ouviu; checava os seus créditos convalidados – seu olhar, perdido, como uma borboleta numa fossa abissal atlântica; como um fragmento de cream cracker numa praia artificial da Siderúrgica Debrasa, passe um fim de semana com a família e pegue um bronze nesse paraíso sintético que emula com perfeição o litoral sul da Bahia em 1500, incluindo índios esquartejados em cerâmica*. Mas era tarde, tão tarde que Carole King encontrava-se em situação privilegiada no que concernia à disponibilidade de tempo em "It's too late". Era tarde para reportar os danos nos it. do silo G6, bs. central nv. encomd., para esquecer a vida enquanto andamos e contamos ogivas VS-1 termo-sensíveis em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã (centro comercial), tarde para eliminar aquelas desagradáveis manchas epiteliais de maneira rápida, indolor e letal – uma delas disse “eu não sou um câncer”, com uma vozinha aguda, mas estava mentindo, tentamos processar seu melanoma e aquele jurista que era fã de Ally McBeal, uma atitude inconstitucional e outrossim um chocante crime em lesa-conduta; acordei deitado num viaduto, sob o céu limpo da tarde californiana. Um engarrafamento quilométrico se estendia diante dos meus sapatos, para além do horizonte. Não os ouvia buzinar, os carros, porque o tempo havia parado, ou era um efeito dramático ou sei lá. Sentindo o asfalto quente e estéril, assistia em silêncio as redes de encanamento crescendo e formando padrões no céu, apagando o cheiro morno de sua camisola de dormir; o tecido que pousava como mariposa sobre os seios prenhes de sono, puta ordinária etc. O prazo máximo para a transação autorizada era de 30 dias. E eu disse ao auditor: “nunca dediquei à minha vida pessoal o mesmo cuidado devotado às notas fiscais, meu quirido. Minhas memórias e minhas experiências solitárias insones, estas nunca as arquivei em local seco também evitando contato com plástico e diesel, dejetos químicos e luz do sol, lâmpadas fluorescentes e outras fontes de calor. Au contraire, meu doce auditor, au contraire, porque tendo a esquecê-las com eficácia prestidigital. Sou o ás do esquecimento instantâneo. Então preciso que me diga isso agora, baby, preciso que me diga; diga-me, diga-me, auditor fiscal, diga-me agora: qual o COO do documento vinculado? Pois não posso continuar sozinho, sem receber em minha pele a precisa qtd. un. Vl unitário de calor animal que emana de suas antenas multipath de reflexão ionosférica”.


* Taxa adicional para índios esquartejados reais.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Sobre a convalidação dos seus créditos, criança



Ordem dos textos:

Ereção fatal I
Sanduíche de linfogranuloma
Travessuras exóticas com o pequeno Lama
Ereção fatal II
Como adquiri imunidade à varíola I
Como adquiri imunidade à varíola II
Está ouvindo, híbrido de réptil com feto humano?
Port decode error detector
Ruído branco
Tacuinum sanitatis
Técnicas de hidroponia
Relatório resumido da execução orçamentária


E isto é o que você, cidadão médio, procurava antes de ser direcionado a este site:

manipulação trazodona ereções
flagrei meu pastor adulterado
experiência bala comestivel perfura um coco verde
enlarguecimento de penis e necessario
como saber de onde vem o ruído apartamento
alimentação de carne larvas digestiva no dia do passe espirita
delirio da auto-acusação
depois que começei a usar anfepramona sinto falta de ar
conservantes usados em necrotério
pictograma de criança cega
relatório da minha vida
aparelho reprodutor hermafrodita
cooper aquatico
lugar recreativo mórmon
operacao no japao de adenoide
fotos cadaver nervo isquiático
quero ver fotos de cancer nos testiculos
exoticas.com
telefones com teclas gigantes
copo homano e seos orgâ
um dia na minha vida social
tudo sobre o frisbee
vida social
tudo sobre o linfogranuloma
cientologia herbalife

Você está provavelmente morto a essa altura, mas não há melhor maneira de encontrar um lugar recreativo mórmon, aye?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Bebê crocodilo no esgoto



































Prévia fecalmente escaneada de quadrinhos que ando fazendo (uma versão mais indireta dos textos deste site?):









Quarto de Arthur Machen:



Mais coisas:
























(São Paulo:)









Esboços de um programa de entrevistas no Inferno:





Mais coisas:








quinta-feira, 27 de março de 2008

Ossos do orifício











Algumas antigas - disque N para neurastenia:

Húmus
Moral predominante
Mulheres bidimensionais
Chewie
Crappy place

Está ouvindo, híbrido de réptil e feto humano?



“Querida, você pôs um híbrido de réptil e feto humano no leite outra vez?”, perguntei. Júlia tentou disfarçar, mas estava claro. “Eu disse um milhão de vezes, amor. Não adianta. Eu posso dizer um milhão de vezes que não gosto, mas é sempre isso”. O híbrido de réptil e feto humano moveu os bracinhos dentro do leite, soltando pequenos suspiros de prazer. Seus bulbosos olhos negros abriram um pouco, então voltaram a semi-cerrar, imersos em tranqüilidade uterina.
“Híbrido de réptil e feto humano, saia do meu copo de leite agora”, ordenei eu, ríspido. Ele chacoalhou e balbuciou uma seqüência desarticulada de fonemas, como um bebê. “Agora. Está ouvindo?”, insisti.
“Está ouvindo, híbrido réptil e feto humano?”.
(Se me permitem tecer um breve comentário, meu problema com híbridos dessa natureza tornou-se pessoal desde que expeli um deles pelo reto e, anos depois, vi na TV este pequeno rebento de minhas entranhas devorar a alma de Ricky Martin, que encontrava-se então absorto em sua missão peregrina pelos Andes, mediante a qual visava descobrir, em seu interior, uma forma de induzir porcos geneticamente manipulados a defecar milkshake).
Lenta e relutantemente, ele escalou a borda do copo e saiu, engatinhando pela mesa, deixando um rastro de leite. Finalmente eu poderia voltar a beber o meu leite em paz.
“Está ouvindo, híbrido de réptil com feto humano?”.



Eu, que sempre sonhei com uma casa vazia, de cômodos brancos, e vazios; uma casa vazia com um grande copo de leite na sala de estar; uma casa na qual eu entraria, emerso da ofuscante luz branca. E caminharia até a sala de estar, e apanharia na sala de estar o copo de leite. Devagar escalaria o copo e submergiria; beberia o leite, uma pausa entre cada gole; então sairia e, ali dentro da minha nova casa vazia, vagaria; de um vão a outro.
Devagar.

Eternamente.

Sim.
Eu. Eu, meu fiel sociólogo soviético positivista. Eu, que sempre sonhei com copos de leite, alheios a estes quantos – oh, tão antiquados – híbridos de réptil e feto humano. Eu, que visito fazendas, pessoalmente, e pessoalmente seleciono as vacas que fornecerão o meu leite. Eu, que as ordenho eu mesmo, as vacas, com estas mãos que deus me deu, ou me valendo de um prático ordenhador automático de bolso – o versátil Milker 3000 –, com o qual premiaram-me pelo primeiro lugar no Campeonato Estadual de Soletração.
Eu, que sou, pessoalmente, uma vaca. Eu que... eu... eu sei... [Silêncio]. E-eu que apenas gostaria de ser uma vaca...
eu que não sou uma vaca realmente. [Silêncio]

[Cruza as pernas. Descruza. A perna treme de ansiedade. Olhos inquietos. Coça o nariz]

Deus, me desculpe, e-eu... Eu sei que não posso...
Eu sei que não posso s-ser uma vaca.

[Encolhe-se. Cruza os braços, como se tolhido por intenso frio]

Mas eu continuarei tentando. [Monta um cavalo, diante de um exército medieval trajando batas cirúrgicas]. Sim, eu continuarei tentando, minha psicopatologia resultante do consumo acidental de resíduos de cádmio extrudido de crateras irrecuperáveis de sedimentos tóxicos de mineração com 2km de diâmetro e 500m de profundidade que não violaram responsabilidades acionistas.
Eu continuarei tentando. [Os soldados apóiam com um urro]. Sim... Sim. Eles podem me ferir. Eles podem me matar. Eles podem até retirar minha pele com um cortador de grama elétrico, costurá-la de volta ao avesso, então me conduzir a uma sessão prolongada de bronzeamento artificial ultravioleta. Mas ninguém pode me impedir de fiscalizar pessoalmente a proveniência – e a adequação da qualidade aos padrões de higiene – do meu leite.
Os soldados neurocirurgiões medievais da cavalaria urraram polidamente, levantando seus fórceps e bisturis, então imergindo em silêncio e em seus afazeres recreativos insatisfatórios envolvendo objetos de escritório. “Eu discordo”, disse um deles, tímido, referindo-se ainda ao discurso, mas ninguém deu-lhe atenção – estavam todos absortos em seus conjuntos de esferas metálicas que transmitem energia mecânica da primeira esfera para a última.
- É tão excitante demonstrar a correção da física newtoniana se aplicada a objetos de tamanho médio – diz um deles, sorrindo.
- O que você está dizendo? – perguntou o cavaleiro medieval neurocirurgião com Pós-Doutorado em Fisioterapia na Oxford University e que estava ao lado, fitando-o sério. - Nós fazemos isso por tédio – informou.
- É, nunca há guerra nenhuma aqui – corroborou outro.
- É tão frustrante...
Os demais concordaram.
- Não tem ninguém aqui a quem nós possamos declarar guerra. Só tem essa merda de grama, para onde se olha.
- Por que não declaramos guerra à grama?
Fizeram silêncio.
- Eles estão em maior número – alguém observou.
Os demais concordaram.
- E os caras da otorrinolaringologia?
- Estão no plantão.
Silêncio.
- E os mórmons?
- Nós já explodimos a Base Mãe Mórmon no Centro da Terra ano passado.
- É, junto com a Grande Mórmon-Rainha. Lembro de ainda ver aquela puta expelindo uma boa centena de ovos mórmons, alguns segundos antes de ser detonada por 5 toneladas de napalm.
- Merda, foi como um momento de iluminação divina. Ver todos aqueles pedacinhos de larvas e ovos mórmon voando pra todo lado. Parecia a porra de um Renoir.
Os demais concordaram.
- Ei, o meu conjunto de esferas metálicas veio com problema. As leis da física não estão funcionando com ele – disse um dos soldados neurocirurgiões medievais da cavalaria, empurrando a primeira esfera repetidamente, e em vão. – Merda, eu vou ter que comprar outro. Já é o terceiro esse mês.
- Por que não declaramos guerra contra aquele pato – sugeriu um deles.
- Mas aquilo é uma pedra.
- Nesse caso será uma vantagem para nós! – observou alguém, entusiástico.
- Não não não, é um pato. Tenho certeza. Olhe – disse o primeiro. - É um pato.
- E-eu não sei... Eu ainda acho que deve ser algum tipo de pedra móvel... – insistiu o segundo.
- Não importa. Vamos declarar guerra àquilo, soldados.
- Hã... sim, sim... ok... sim... vamos... – disseram os outros num burburinho confuso, rumando lentamente em direção ao pato, ou à pedra móvel.

O exército de cavaleiros medievais neurocirurgiões matou o pato e todos retomaram seus afazeres recreativos insatisfatórios envolvendo objetos de escritório.

- Ei, vejam. Era uma pedra disfarçada de pato – observou um deles, alguns minutos depois.

Contudo descobriu-se só em meio à desoladora vastidão montanhosa, e assim decidiu que dali em diante seria um pastor de montanhas, evitando que fugissem em rebanho. À noite, com o olhar perdido na abóbada celeste, compôs para os astros distantes versos idílicos de rara beleza, entoou para a lua doces e bucólicas melodias, e quando já se masturbava para as estrelas, foi subitamente atropelado por uma frota de caminhões. Se eu ao menos tivesse visto o semáforo fechado, disse ele a uma das funcionárias do necrotério, com a qual conversava sobre amenidades enquanto era por ela autopsiado. Sentiram faiscar entre suas almas uma conexão especial, algo mágico na química daquela relação nascente; algo que desabrochava e expandia com o odor de formol. Havia, é certo, um quelque-cheuse de especial na forma como o suco bilial era secretado pelo seu pâncreas quando ela o seccionava cirurgicamente com um bisturi; na forma como ela removia seu pulmão, abria nele alguns buracos e o vestia na cabeça, fingindo ser um ninja, antes de embalar o órgão dentro de um saco plástico para ser conservado no freezer. Foi então que ele tomou a decisão.
“Não”, sussurrou, retendo a mão dela. “Não remova minha próstata ainda, minha doce Estagiária do Setor de Necrópsias. Ela pode ser útil. Sim. Sim, minha amada Estagiária do Setor de Necrópsias, eu quero pedi-la em casamento. Eu quero dar-lhe filhos com essa próstata, dentre outras partes do meu sistema reprodutor. Quero dar-lhe uma bela casa, um belo jardim, um depósito de suplementos alimentares com nova fórmula bioavailable que ofereçam mais proteínas utilizáveis por unidade que os produtos aquém deste padrão-referência, eu quero controlar minhas taxas de colesterol com você, comprar com você revistas trazendo 100 dicas para adicionar variedade à sua rotina (em geral implicando em danos anais) e assim reacender o fogo inicial do nosso relacionamento, quero escolher com você um creme de barbear que produza mais espuma com menos esforço; que seja menos agressivo à pele sensível. Que proporcione um maior frescor pós-barba. Sim, meu pequeno rouxinol necrômano do amor, eu quero aderir com você ao programa de reciclagem e tentar postergar o colapso ecológico global e a completa aniquilação da humanidade, eu quero induzir com você a formação de tumores cerebrais – além de distúrbios nervosos menores – por exposição prolongada a campos eletromagnéticos de eletrodomésticos, e quero planejar com você uma viagem a algum paraíso natural intocado pelo homem, onde possamos descobrir em nós mesmos uma inesperada e profunda compreensão holística da Natureza. Eu quero acumular com você por conseqüência de uma dieta demasiado farta, variada e inadequada aos hábitos alimentares humanos uma placa de resquícios alimentícios em putrefação no duodeno, lentamente liberando toxinas na corrente sangüínea pelo transcurso de nossas vidas. Eu quero que você esteja segurando a minha mão na sala de cirurgia quando meu câncer de testículos decorrente do hábito de deixar o controle remoto próximo às gônadas estiver prestes a ser removido após semanas de quimioterapia inútil, e eu quero ouvir com você os profissionais explicando como instalarão máquinas de glicerina para produzir nuvens etéreas quando nossa filha entrar no palco ao som de “Sail away” de Enya [parte censurada]. Eu quero ver com você na TV a terapeuta explicar que a delinqüência juvenil deve ser encarada como uma patologia, a ser tratada clinicamente. Eu quero esconder de você, dos nossos filhos e dos nossos amigos a minha coleção de DVD’s doentios que constituem um mecanismo de compensação para as baixas mas estáveis taxas de endorfina, dopamina e adrenalina resultantes de doses saturadas de entretenimento insuficiente e de emoções homeopáticas. Eu quero me tornar, com você, dependente de fontes de emoções diluídas e ideais dissolvidos em gotas anestésicas insuficientes para sedar o tédio. Músicas, filmes, livros, tarô, cientologia, cristianismo, Herbalife, frisbee, ginástica aquática, bungee jump, bonsais, iluminação ambiente, pubs, coquetéis, obesidade, documentários, fibras para prevenir hemorróidas, momentos mágicos, divertidos e inesquecíveis, graus moderados de radioatividade - síndrome do túbulo carpal atuações aclamadas dependência toxicológica de barbitúricos, suplementos alimentares - resíduos nocivos à saúde - decorações redundantes doenças cardíacas diabetes e fatores de risco (como colesterol alto e hipertensão), vernissages escritores acadêmicos hashis pequenas epifanias comoções nacionais novas bactérias que adquirem tolerância a antibióticos – um novo espírito empreendedor, um espírito cosmopolita de compreensão mútua – congressos internacionais fichas cadastrais alimentos industrialmente processados formas de combater os radicais livres e previnir o câncer de mama – acepipes; uma preocupação sincera com os problemas globais uma segurança renovada sobre seu valor pessoal, um novo espírito de equipe um novo espírito competitivo novas iniciativas novas amizades inconturbadas – plugs anais home theater rohypnol valium nicotina álcool tryptanol tianeptina, stablon, trazodona, cocaína – sexo casual, perversão, assassinato, suicídio autopromoção novos canais uma vida social ativa problemas domésticos sublimados em vendedores de telemarketing e crianças, programas de recliclagem, consciência política, anti-romantismo mas não pessimismo, efexor, rivotril, olcadil, carbolítio, viagra, anfepramona, desipramina, hormônios tireoidianos, abusos sexuais incestuosos auto-amputação impulsos de violência e vandalismo reprimidos cafés literários galerias de arte museus restaurantes refinados momentos de descontração em ambientes acadêmicos formas de prevenir a menopausa – odorizadores de ambiente – cooper, animal de estimação, bebendo moderadamente – fotos no álbum de família tentativas de se manter atualizado sobre os valores da juventude, pontes de safena, autocompensação sexual, turismo, uma nova e mais sofisticada forma de encarar a vida programas sobre pesca prostitutas os velhos tempos nunca morrem festivais anuais coletâneas sutis momentos de intimidade entre amigos ou amantes mahjong camping praças de alimentação, posturas morais socialmente aceitáveis (não mais os suínos genocidas do passado) ufologia nostalgia xamanismo budismo pacifismo sushi bactericidas, espermicidas, parricidas. Sim, eu quero tudo isso, com você; ao seu lado. Case comigo, Estagiária do Setor de Necrópsias”.
“Mas meu amor você não se está precipitando? Você nem mesmo leu o resultado do meu check up bimestral indicando minhas taxas de colesterol glóbulos brancos cálcio e-”.
“Você tem razão. Assim que você receber os exames, então”. Beijaram-se ardentemente. Com um sorriso cúmplice ele acenou, despedindo-se, enquanto ela fechava o zíper de sua mortalha negra polietilênica e guardava seu cadáver numa gaveta refrigerada do necrotério, a fim de desacelerar o processo de putrefação.

terça-feira, 25 de março de 2008

Relatório resumido da execução orçamentária



Senhores,

de bom grado esqueceria o assunto, entretanto como notei, julgando por esta moda de insinuações que vem sendo freqüentemente associada à tentativa - embora não seja minha intenção aqui a de ser bem ou mal interpretado -, de abreviar, sob pretexto puramente aproximado ou, até mesmo, evidente, e sem (ao menos ao meu ver) uma significância relevante para o âmbito de dicussão proposto neste sentido; ou pelo menos se for aqui ponto pacífico o de que - e escuso seria dizer que não pretendo apelar a circunstância alguma quer mais quer menos consensualmente estabelecida a respeito da presente questão -, ainda sob um ponto de vista imparcial (e reitero minhas sinceras desculpas se não for de fato este o caso) ou pelo menos capaz de não ofuscar por inteiro o sentido que havia inicialmente demonstrado ser, se bem que indispensável, como já antes repetidas vezes se fez notar, uma forma equívoca de associar a este feitio de atitude aquilo que foi anteriormente pormenorizado, mesmo admitindo - e isto pode soar um pouco agressivo, até obsceno para alguns - que, quer o método, quer a maneira ou quer a forma pela qual pretendi (ou ao menos especulei que fosse cabível neste contexto), à parte toda a parafernalha utilizada na quase obsessiva caracterização de algo que não seria exagero apontar como absolutamente rasteiro e exclusivo, sobretudo se tivéssemos que optar entre, por um lado ter a supramencionada qualificação do tópico sob a descrição ou a definição - o que para mim é apenas mais um crime grostesco contra a assunção já pouco cabível de que, despida de sua camada de implicações no meio discursivo referido, não podemos, é claro, determinar o que pode e o que não pode ser assim o critério para a quantificação destas (com o perdão do termo) "partes".

Como está claro, espero, isto em definitivo põe fim à discussão.

Sinceramente,
Daniel.

domingo, 23 de março de 2008

Técnicas de hidroponia





“Sempre me senti mais confortável submerso em líquido amniótico”, disse a Vannini, que vinha comigo no carro pela rua escura. “Realmente foi uma decisão ótima instalar essa piscina com líquido amniótico, Vannini. E eu achei super barato e prático... Você precisa comprar uma. Juro que não consigo viver sem desde que comecei a usar”. Vannini estava comendo um exemplar da Vogue com barbecue, tencionando assimilar a edição por via estomacal e não ocular – decidira transubstanciar-se numa mônada abstrata e infinita de puro fashion. A bebida acabara no banquete de inauguração da nova agência do Itaú Personality, Vannini era o gerente, eu e ele fomos então pegar mais no meu estoque particular, Pink Flag do Wire tocando no LCD – não tendo conseguido abrir a porta da minha casa, atirei a chave no asfalto gelado, por sorte Vannini trouxera uma “bebida chilena” que utilizamos para explodir a porta (basicamente atiramos a garrafa contra ela e voamos alguns metros para trás com a explosão).
“QUE MERDA É ESSA QUE VOCÊ BEBE?”, perquiri, mas Vannini estava obstinado em introduzir o plug dos fones de ouvido do meu Ipod no slot de saída de um cachorro, aparentemente para auscutar suas atividades gastrointestinais com fins clínicos ou – seria possível? – recreacionais. Entrei em casa e um cara saiu de trás do sofá atirando e gritando “saia daqui, seu filho de uma puta”. Balas vindo de todo lado repletas de vibrações severamente macabras – corri até Vannini, que agora estava agachado auscutando o asfalto, e expliquei que um mass murderer psicótico invadira minha casa e não poderíamos pegar portanto as bebidas até que ele fosse embora, a menos que ainda tivéssemos uma garrafa da “bebida chilena” – a qual Vannini atirou pelo buraco da explosão anterior; ótimo, Vannini, você matou uma família – disse-lhe, vendo algumas pessoas mortas na sala. Logo percebi que havia confundido aquela casa com a minha – “por isso a porta não estava abrindo”, comentei, enquanto estávamos no carro indo para a minha verdadeira casa, Vannini no celular orientando um de seus subgerentes a pesquisar tudo o que pudesse sobre técnicas de hidroponia, segundo me disse pretendia aplicá-las ao cultivo de costeletas – o Vannini é mesmo impagável, ha ha, sempre obrigando seus empregados a executar essas tarefas totalmente absurdas e colossais às 3 da madrugada, e tinha agora um outro cara em minha casa, um limpador de telefones hermafrodita que advogava um approach terrorista do ramo. Astrid Stilberg exibiu a lingerie com dinamites sob a blusa da coleção de verão da Huis Clos – ficamos maravilhados ao perceber o toque incomparável de silk organza sintético com franjas indianas e bordados de índios cherokees, com uma pitada irreverente de gabardine – e ameaçou explodir a vizinhança se o(a) impedíssemos de limpar o telefone, então pegamos as bebidas e demos no pé.
“A identidade sexual está morta”, disse Marianne Barradas, esposa de Vaninni, dentista e colunista de uma revista de culinária. A mansão deles tinha um estilo bem minimalista, tudo branco e móveis pretos com um design simples mas sofisticado, meio less is more – um charme fronzoniano, quase poético, que só podia me deixar seriamente apaixonado. Enquanto bebia uma taça de Benedictine e conversava com Marianne sobre aquela gestalt superflat que ela tinha alcançado na decoração, uma bela e elegante senhorita loira sorria para mim o tempo todo. Comentei com Marianne Barradas:

– O padrão crômico dela parece ser o apocematismo – referindo-me ao padrão de cores que alguns animais usam para denotar que são venenosos – Mas acho que não pôde resistir e foi infectada pelo meu retrovírus pandêmico da sensualidade. Uma infecção que... – fitei seriamente seus olhos – pode ser letal.

Na verdade, explicou Barradas, o sorriso constante da supramencionada senhorita decorria das imoderadas doses de botox que consumia, não sem histérica voracidade. Com efeito, determinado momento da fiesta, enquanto conversávamos ao lado da piscina sobre a taxa de testosterona necessária para fazer brotar um pênis na testa, vi minha misteriosa e sedutora loira usando uma enorme seringa para inocular alguns mililitros de botox nas têmporas, e ao longo da noite algumas gotas da substância às vezes esguichavam pelo furo epidérmico que a seringa deixara – e para não desperdiçar nada Lady Botox aparava-as com o cálice de champagne, realizando manobras extremamente ágeis. Então lá para as tantas o irreverente teatrólogo Paulo Hoepker apareceu às escondidas e tentou pregar uma peça em Vannini, seu amigo de infância (agora desmaiado numa jangada que havia comprado recentemente, com o propósito de “encontrar um novo caminho para a outra margem da piscina”, conforme esclarecera naquele seu tom impagável) e a brincadeira consistia basicamente em injetar uma neurotoxina seletiva no complexo B-Bötzinger – uma pequena região do tronco cerebral de ratos, essencial à respiração – do cérebro de Vannini, destruindo neurônios específicos e acelerando o desenvolvimento de problemas respiratórios – primeiro no sono REM, em seguida no sono não-REM e posteriormente na vigília – e é claro que todos rimos um bocado com aquela idéia mirabolante do Paulo; ele é mesmo a alma de qualquer festa – e de fato alguns dias depois o Vannini começou a reclamar de problemas respiratórios, sem entender por que todo mundo ria quando ele mencionava o assunto, ha ha; uma comédia.
Continuamos conversando sobre o último lançamento de Deus, o Novo Testamento, e eu notei que um certo jovem – Luciano Romero, crítico de música alternativa, disseram – passou a noite inteira numa mesma posição, como se estivesse em pause, e o que de início pareceu uma invejável tranqüilidade decorrente de sua extrema confiança em meios sociais foi a posteriori esclarecido como resultado da ingestão acidental da champagne na taça de Lady Botox, minha misteriosa senhorita de sorriso perpétuo. Eu tive essa visão; o fim do universo, galáxias em colapso – mas aquele sorriso sobrevivendo intacto, implacável como uma muralha de titânio. Uma equipe da SWAT invadiu a casa e começou a fuzilar os convidados; eu utilizei o corpo de Luciano Romero como escudo, no qual as balas ricocheteavam zunindo. Após o incidente, entrei numa fase de depressão que durou meses, e meu cabelo não foi mais o mesmo. A fibra e o colágeno estavam lá, mas o brilho, a maciez; o tônus; eram agora para mim como propriedades capilares de um estranho. Certa noite então, peguei o metrô e desci num lugar ermo. Fugia de uma multidão histérica de crianças hidrofóbicas e cachorros hidrofóbicos pelas ruas do bairro de classe média em São Paulo, sob a pupila opressiva de um holofote central – um sol tão desconhecido para mim. Desci a escadaria escura do velho edifício-motel-pousada Jardim do Éden nos arredores da rodoviária; Adão e Eva, parece, eram as duas ratazanas que dividiam o aposento comigo – e as quais não haviam apenas sucumbido à fruta proibida, como também a vários outros gêneros alimentícios proibidos no meu armário (ainda assim não foram banidas). Só posso supor que Deus era a barata que aparecia por lá quando em vez para menear a cabeça em desaprovação à minha existência. Eu tentara repelir o síndico mediante um crucifixo e esguichos de água-benta-gaseificada com Tang silvestre (colhido por camponesas suíças), se bem que não fosse ele um vampiro, como depois constatei decepcionado, e apenas porque disse-mo explicitamente; de todo modo o Tang silvestre com água benta gaseificada estava divino – evacuei assim o dormitório, que era um cubículo sufocante com paredes cinza-esverdeadas constituídas de bolor gelatinoso; havia um edredon petrificado sob uma crosta de esperma, um aquecedor (para intensificar o calor já suficientemente implausível), uma Bíblia mórmon e uma TV 14 polegadas para sintonizar bolhas amorfas de chuvisco e bestas deformadas vagamente humanas, que falavam alguma língua grotesca e supersaturada de ruídos tóxicos cloacal-tartamudeantes, entrecortados, cuspidos pelo que a mim pareciam válvulas supuradas protagonizando algum romance truffautiano. A máquina de caça-níqueis tocou uma musiquinha analógica e eu perdi minha moeda. Comprei uma cerveja – uns bêbados conversando numa mesa. Os bares nas proximidades da rodoviária. Neón de motéis vagabundos telefones públicos, desfigurados por abscessos (sob um poste flácido na esquina) – constatei uma rede de nervos saindo do orelhão pela calçada até um par de sapatos, de onde brotou uma cabeça bêbada que tentava disfarçar angústia [amarelo sintético] com uma gargalhada – um buraco negro na esquina. Digito os números no telefone, fazendo uma musiquinha com os tons de cada tecla. Eu sou o Kraftwerk.
“Só entendo uma língua, meu amigo. E essa língua só tem uma palavra. Começa com 10”, diz o cara da espelunca, “termina com 000”. “Qual o seu problema? Eu só quero esse mini-game, cara. Eu não sei o que você tá falando”. “A nova palavra começa com 0,00 e termina com 1”, “Eu não tenho nenhuma moeda menor que 1 centavo”. Cambaleio por uma ruas de bolor esverdeado, sempre absorto no mini-game. Injeto uma ampola de penicilina num cachorro morto no asfalto – a reação antibiótica em cadeia desfaz as paredes de um motel ao lado. Vejo contaminar algumas estruturas etílicas – risadas anônimas. Coisas dissolvem lentamente ao redor da rodoviária, ouço a buzina distante de um ônibus – um uivo na selva pré-cenozóica –, prossigo desviando de algumas peças de tetris que se empilham à frente num beco pulsando macabras e indecifráveis freqüências extraterrenas subsônicas de até 4.500 c.p.s. Mais tarde àquela noite, de volta ao Jardim do Éden, escrevi no diário: “Suspeito estar numa placa de pétri. Podem as bactérias delirar?”.

Dia seguinte à tarde, caminhando por um rua deserta, à sombra dos edifícios, avistei pelo vão entre dois prédios um focinho gigante de rato pairando sobre a cidade e me ocultei atrás da parede, assombrado. Outra vez olhei, discretamente – o focinho continuava lá, contraposto ao céu vazio. Fungava perversamente.

sábado, 22 de março de 2008

Tacuinum sanitatis



Em lenta procissão marchavam as almas frementes - seus cheese-burgers dietéticos atomicamente instáveis atingem o limiar da fusão - entre ruínas colossais de impérios esquecidos; banhados pela chuva cáustica que, clemente, amenizava distúrbios causados pela menopausa. Eu sonhava com a máxima distensão da região abdominal. Erguera-se assim do Vazio, em esplendor sildefanílico, tonitruante como a disfunção erétil do sexagenário, o Verbo súpero; a revoada antioxidante de floras intestinais indefectivelmente reguladas – havia escuridão; postos de gasolina – as faces em chama, apagadas, viram renascer o Monstro Antediluviano, emerso do oceano de reputações impolutas; de incontinências parcialmente diagnosticadas.
Sua irmã era um Power Ranger vitimado pela esclerose. Seu pai, apicultor. Ambos estrelaram o drama baseado em fatos reais sobre dois escritores neoclássicos que perderam os quatro membros na Primeira Guerra, e que, sem cadeiras de roda, atravessaram o país para entregar ao poeta americano T. S. Eliot duas fichas cadastrais, contendo a data da invasão alienígena codificada numa mancha de barbecue – comovendo assim a nação, que os estriparia casualmente. - Não é tarde demais – disse. – Não é tarde demais para compartilharmos nossas próteses fálicas; nós teríamos uma conexão única. Só assim talvez, penso, haveria entre nós intimidade suficiente para a indução mútua da emesis bulímica – confessou, no programa de auditório, ao grupo de dançarinas bulímicas.
Eu havia encontrado na bulimia uma nova maneira de expressar quem sou por dentro. Um dos pontos mais emocionantes da cerimônia foi quando Iza entrou com o noivo cantando uma versão, escrita por ele, da canção 'No Meu Coração Para Sempre Vai Estar', tema da animação do filme Tarzan. Nesse momento Maurício não se conteve e foi às lágrimas. Falhas no protocolo de comunicação desestruturavam a brisa fria da manhã, quando minha alma foi inundada pela súbita necessidade de otimizar meu ambiente coorporativo; seus olhos distantes escondiam tristeza e indiferença.


(Ah, pois é. Passarei a postar alguns desses meus desenhos, como quasi-ilustrações. Não é *fantástico*?)