quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O abismo





Juremir cruzou o jardim até o carro. Uma dessas manhãs de dispersão branca. “Divirta-se no escritório”, acenou da porta a esposa. A esposa pôs no microondas a comida das crianças. As crianças saíram para esperar o ônibus na calçada. O cachorro latia com o sprinkle. O homem da dedetização chegara e, agora, borrifava veneno na grama. 
Após tentativas estéreis, o carro não abriu; o marido voltou para casa. Jovinda, a esposa, inteirou-se do empecilho automotivo. A ulterior impossibilidade de translado de Juremir até o locus empregatício perturbava o seio familiar. Os condôminos em reunião, aclimatados no fundo do quintal, tomavam nota. As crianças voltaram para casa; sem parar, o ônibus havia saído de uma esquina, mas entrado na seguinte. Juremir cruzou o jardim, o carro englutido no lume fosfóreo das sete. A esposa, no silêncio vítreo do condomínio, acenou da porta, “Ligue se apavorado pela fatuidade”. Antes de anoitecer, um carro de família, voltando da tarde regada no clube bancário, colidiria de frente com um sedã na estrada ensolarada, sem sobreviventes. As crianças saíram para esperar, na calçada, o ônibus escolar. Jovinda, a esposa, colocou no microondas o café da manhã das crianças, aquecendo-o outra vez. O controle de pragas borrifava o belo asfalto da rua. O sprinkle cessara e, sobre a grama, uma ausência substituíra o cachorro. Apesar de investidas tediosas contra o carro, a resiliência da porta impeliu Juremir, animicamente debilitado, de volta para casa. O amante da esposa (subia a janela, desistiu) circulava a piscina, parando às vezes para abdominais. Jovinda inteirou-se do empecilho automotivo. Ficava cada vez mais distante, incorpórea, a presença do marido no locus empregatício. Como o ônibus passasse direto, como se dera voltas no quarteirão, as crianças foram para casa. No fundo do quintal, o círculo social de Juremir manifestara apreensão crescente. O marido cruzou o jardim. Impotente, postou-se estático ao lado do carro, fagocitado no cromo difuso da manhã. No banheiro da casa vizinha, uma adolescente magra encolhia-se no piso gelado; um esguicho frio de sêmen respingou-lhe o dorso. No belo asfalto aquecido, Controle de Pragas procurava nuvens de claridade insustentável. Apresentava, assim parecia, sintomas de insolação. A esposa termonebulizou a comida das crianças. Submergiu-a na piscina; copos plásticos boiaram, solipsisticamente, na superfície vítrea, projetando sombras trêmulas na cerâmica muda, sob a vala comum das três e pouco, um azul ilimitado riscado de cabos e postes de alta tensão, zumbindo contra nuvens estáticas. A reunião de condôminos, em pé no jardim, esquivava-se do sprinkle, que tornara a esguichar, concupiscente. O amante da esposa fazia abdominais, músculos oleosos ao sol, folhas secas caídas imóveis sobre o piso de granito morno e uniforme. Jovinda reiterou-se do empecilho automotivo; uma ligação suscitara reprovação à fixidez do marido, cuja presença no expediente já não seria oportuna. As crianças acossavam, sobre a fútil solaridade do asfalto, o homem da dedetização. O ônibus escolar fumegava contra um poste, agora torto na esquina limpa. O café da manhã jazia no fundo da piscina, como um simulacro. O marido cruzou o jardim. Dessa vez, para casa; baldando em abrir a porta da frente, ficara estático na escadaria. O imóvel acompanha cozinha americana. A esposa dirigiu o carro, com as crianças, para dentro da piscina. O amante da esposa fazia abdominais no granito morno, uniforme. Tumultuados, na vacuidade clórica de veranidade muda, boiavam os copos plásticos. O porcelanato era uma opção criativa para o piso. O círculo social do marido examinara o homem da dedetização, caído no acolhedor sumidouro do asfalto, precipitado no abismo dominical. As crianças voltaram para casa. As crianças voltaram para casa. O ônibus se atrasou. Os copos boiavam em clórea solaridade, ao trino do telefone, como uma broca, no bloco de fatuidade emética. A reunião de condomínio fora marcada. O cromo difuso da manhã os acolhia como spray odorizador. A porta pivotante fora uma escolha arejada. A piscina engoliu a esposa. A piscina engoliu o carro. Os vizinhos (os casais, as crianças) equilibravam-se no despenhadeiro ordinário de silêncio e ressaca dominicais. O marido cruzou o jardim. A esposa esquentou o desjejum transiente; o locus empregatício era incorpóreo. O jardim um alheamento, o cachorro exíguo. Do céu, Deus abatia com um rifle passantes nas ruas. O nível de água escalara, a cena submergia, como bosta facsimilar na cerâmica do vaso, antes do refluxo de desencanto. Bom dia.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Ao último poeta de bordel

  


Nas ruas velhas de Hydra os paralelepípedos socados pelo tempo serpenteiam morro acima, ladeados por casinhas brancas organicamente empilhadas até o mar. Foi para essa ilha grega provinciana de murinhos desgastados que Cohen zarpou aos vinte e poucos, logo após ouvir-lhe o nome pela primeira vez, numa tarde londrina, logo cinza e chuvosa, de um passante bronzeado recém chegado da Hélade. Também devo ter vivido oito anos em Hydra, onde nunca estive, entre escadarias brancas que levam ao mar; lembro, de qualquer forma, dos dias prosaicos como o escritor mal-sucedido de Marianne. As janelas do velho quartinho, baforando calor mediterrâneo, as tardes despendidas numa sacada modesta com cadernos, passeios ao mercadinho e à farmácia, o violão na mesa como uma ressaca, uma brisa salgada e oleosa; lembro de todo o sol que deixei com ela e ainda aquece os telhados e as paredes brancas, amontoadas até o mar. Estou certo de que ainda estamos lá; o passado é, afinal, uma conspiração de físicos desapontados.

Não sacramentei a morte do meu pai; não fugi da cerimônia fúnebre para lhe enterrar um recado no quintal. Por isso, talvez, não seja um poeta, ainda menos um poeta de bordel. Foi sob esse epíteto que a musa dentuça Joni Mitchell certa vez cortou as pernas ao ladies’ man, cuja devoção judaica por adentrar a terra prometida nunca foi menos que sincera. Não me entendam mal; o puteiro pode ser um templo fraturado, mas também o filho de Nazaré é um deus quebrado. É afinal pelas frestas que pervade a luz, ou algo mais túrgido. Em todo caso, basta uma breve consulta às playlists de bordéis, vis-à-vis aquelas executadas nos motéis, para estabelecer a soberania de reserva moral dos primeiros. Em adolescente me imaginava, mesmo assim, no futuro, como o velho judeu: o clichê do escritor torturado, errando espectral num sobretudo pelas calçadas úmidas que as noites frias oferecem, e alhures duas ou três garotas godardianas, que nunca poderiam tê-lo realmente. Os sonhos estão arquivados com a memorabilia, na escrivaninha deixada em Hydra. Se sonharmos aqui, podemos indispor a concretude. E sei que a tangibilidade está em alta; já a gravidade, essa nunca decepcionou. Mas tornemos aos tugúrios, detrás de cujas cortinas se escafandra o sumo profano da noite. Que de falar em tangibilidade, mecânica e queda, do velho pornô de Newton, em síntese, falamos na verdade da mulher, e outra vez, dos templos seculares a ela devotados, em qualquer cultura profundamente matriarcal, como a nossa: o puteiro e o lar. Dos quais, apenas o segundo é propriamente satânico, e avesso ao espírito. Confirma-o a própria escritura: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca” (Apocalipse 3:16). Vê, o capiroto é, por excelência, petit bourgeois. Que é um lar, senão um lupanar em que a regular putaria morna se paga em exclusividade e amor. Haveria tentação mais profana, que as doçuras e garantias do tédio sustentável? A lira exige reverência e aptidão totais, não parciais, à queda. A corrupção é um ascetismo, e abnegar as finas delícias da moderação, o sacrifício monástico definitivo. Ouvi de São Pedro barrando aos portões do paraíso quantos não cheguem ainda fedendo a enxofre.

Eis, então, a afinidade íntima entre o Casanova e o artista: como a mulher, a lira é bastarda e vulgar. Não se conclua que o espírito, acompanhando a carne tumescente da ninfa, não lhe adorne com um requinte civilizado, capaz mesmo de monetizar a hora; ou que o mesmo espírito não seja indispensável às cordas, ou osciladores valvulados, do troubadour. Mas o pináculo da arte é a bastardização do espírito, do absoluto, da qual a poesia de puteiro é a expressão acabada. Tal o ensinamento estético do deus castrado do ocidente, parafusado a uma cruz, como um marido. O caminho desbravado por um Absoluto emasculado, carnal, antípoda da sã virilidade helênica; esse Divino rúptil, feminino e inapelavelmente pagão. Como uma puta, quebrado, e assim, crivado da luz triste, adúltera, do espírito. Um santo obsceno; um mórbido poeta de bordel.

No fim, resta um equilíbrio: os vermes tratarão nossos corpos, no leito último, exatamente como tratamo-las na cama. Requiescat, velho asceta da queda.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015


(...) Estilo único. Não encontro nada parecido nem entre os beats e escritores “malditos”. Penso ser o que temos de melhor no momento.

Revista Substantivo Plural, acerca do meu malemolente libreto (Corpúsculo num Plano); restante do texto aqui. Corpúsculo num Plano pode ser comprado aqui.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Jeany vai ao cinema


Jeany vai ao cinema. Eu estou lá, e pergunto se está tudo bem, e se ela tem propriamente higienizado seu cachorro. Eu conheço uma velha cujo cachorro morreu ao não ser higienizado periodicamente. Meus pais ligaram para o caralho do Instituto de Auxílio aos Animais Abandonados, e não sei se lhe outorgaram o verdadeiro enterro cristão. Ora, Jeany, que prazer, porra, mil anos nessa bagaça né bóe. Jeany, me diz aí, que filme tu veio assistir mermo hein? Fora da galeria, em solipsismo poeirento, ebulia a tarde. Das chaminés erigiam-se no céu do centro colunas pétreas de fumaça oleosa engastadas no vidro das duas, como vulcões de documentário, num leito de mar de anonimidade tacanha, a sufocar os idiotas. Eu diria: eu e Jeany fomos ao estacionamento traseiro da galeria, onde folhas caducas jaziam esparsas, e lá ficamos rodando em nossas bicicletas no concreto, nós e nossas sombras abafadas. Mas convém apagar as bicicletas, e guardar, até o fim, e com todas as armas disponíveis, as ranhuras fractalizadas das calçadas, leitor imbecil. É imperioso apagar as bicicletas, eu disse, a Jeany ao menos, e reiterei aquilo sobre seu cachorro, antes que ele apodreça a vizinhança debandada quando você viaja para um país tru, e renda insustentável a siesta vespertina de pré-adolescentes gordas, em seus comoventes quartos celibatários. Um bairro é um zoológico, Jeany, de crocodilos tristes e banguelas, fitando seus televisores anos 80. Mas devíamos voltar, e ver seu filme, só nos dois nessa tarde transiente, que cê acha bóe? O dia é espúrio e nunca morreremos, realmente. Não acredite Neles, nos livros de História, nos cemitérios cenográficos, nos atestados de óbito - estes são outros diplomas. Falsificações fuleiras. A verdade está na tarde e na divina misericórdia da violência escrota. Nas madrugadas desperdiçadas, na excrescência imanente do Outro, na seção de duplo anal. Deixo Jeany na parada de ônibus, e ela desaparece sempiternamente num ônibus para dentro do estômago minotáurico do bairro, e nos desencontramos enfim, mas não se morre sozinho; a vida nunca foi tão ecumênica, para começo de conversa.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

exórdio nagô ao affair modernista


Conheci essa guria num café, a Nara Odara. Tão cultural, a Nara, que se você colocava o mamilo dela sob uma agulha de vitrola, tocava um bootleg inédito do Cartola. Ah, minha jóia rara, você era tão boêmia. E no outro era um best of do Chico. Tão boêmia, a Nara, que, acaso pilado, seu latifúndio dorsal produzia um inconfundível som de cuíca; e nessas horas, que sofisticada delícia antropofágica pós-estruturalista, era improvisar um sambinha - o legítimo samba de roda, dir-se-ia -, enquanto lia a orelha de um Bourdieu ou de um Bauman, até a modernidade jorrar líquida, ressignificando artisticamente sua hipofaringe. E, não vos fresco aqui, bróders, mas uma vez a Nara tomou uma sopa de letrinhas e, havendo ela destronado o toalete fazia pouco, ia eu herdar seu reino, quando lá vi um poema concretista boiando, em lugar da oferenda standard a Iemanjá, leminskiano e sereno

sábado, 4 de outubro de 2014



"Galera", estou lançando hoje a segunda obra de minha autoria, "Paulo Leminski meu Ovo", um tour de force no gênero realismo histórico autobiográfico. Chocado no calor polissêmico e antropofágico de uma tarde de outubro, esse novo petardo cultural agracia o leitor pseudo com os incessantemente, não-requisitadamente compartilhados poemas de P. Leminski, acrescidos de "meu ovo" ao final de cada verso. Você pode baixar nesse link, ppl. 
Espero que toda a subversão do trocadilho de budega ecloda forte em vosso caetaneante coração.

Ternamente seu,
D.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Daniel Francoy com a palavra:


A avenida mais imunda é o início
do que chamo de casa: uma fileira
de terrenos baldios com bichos mortos
apodrecendo entre o mato e as pedras;
torres emulando castelos de princesas
ou coqueiros de néon imitando praias
na entrada de motéis; carcaças de carros;
depósitos de materiais de construção
deixados ao léu; o entardecer
regurgitado por máquinas fumarentas –
a luz crua, escassa, puída
que resseca narizes e gengivas
(...)
Olá, inverno súbito nos estertores
de uma sexta-feira. Faz frio e metal
das placas de trânsito e dos carros estacionados
é o fio de uma espada gelada
(...)
Por vezes
dorme-se se com o coração acariciado
por um sussurro brando, por uma garoa,
e instala-se a suspeita
de uma manhã, de um céu
lavado estendido sobre a infinitude
dos subúrbios calcinados.


daqui e tal

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Spam elegíaco ao leitor encafifado


Pícaro leitor,

Corpúsculo num plano é um livro de textos curtos porém maniprestos ilustrados e autorados impunemente por este humilde, módico, em suma rastejante e infeccioso, vulgar, de 2004 a 2010, entre locações de sonoridade convenientemente escritural - orlas, corredores hostis, madrugadas fosfóreas, quartos insalubres em províncias insulares, ruas estreitas e cubículos, estradas, postos de gasolina e congressos de pompoarismo gnóstico, que pela eficácia militar fulgura como o inquestionável futuro da evolução bélica. Foi impresso em árvores mortas por máquinas violentas e ruidosas, com a habitual sequência de movimentos sexualmente ambíguos dos robôs, numa tarde oleosa de janeiro, em algum ponto dos trópicos, início do século XXI, época de espasmos post-mortem para a gloriosa civilização e o interesse em prognósticos apocalípticos. Você pode comprar aqui (vá para a segunda página do catálogo), e rejubilar-se com o frete digrátis, decapitando um Negresco dentro de um pentagrama em gratidão sacrificial a Liseus, meu único Senhor e a quem ora exibo, num ato de contrita reverência, o pano dos meus bolsos.

D.


(A editora, alguns dias após o lançamento)

domingo, 3 de agosto de 2014

Ontem sonhei que acordava de um sono inquieto, apenas para encontrar, em lugar da minha maçaranduba indócil, Fabrício Carpinejar. Num registro fanho de Rumpelstiltskin, sua cabeça reluzente e túrgida, agora minha infausta glande, produzia um fiozinho contínuo e monótono de queixume autopiedoso, numa sintaxe afetada. Mirei detidamente a anomalia no interior da cueca, até, transido de horror cósmico, saltar em busca de uma tábua de carne na cozinha, e minha tramontina Inox Premium 22''. Alguns minutos de tensão extrema transcorreram, com a minha piroca, ou antes Fabrício Carpinejar, estirado molemente na tábua; a faca, tremulamente empunhada acima. Faltou-me a frieza. Marquei um cirurgião oncologista, que dias depois, tendo-me cutucado o novo e insólito órgão com instrumentos, sob lanternas e lupas, dir-me-ia tratar-se de um tumor peniano raro, em comportamento, bem como aparência, idêntico ao emérito escritor sulista (expressão que não se aplicará com a mesma exatidão a um saco de húmus no Amapá, visto não ser estoutro - o fertilizante natural ora em escrutínio - sulista). Era letal, e afetava diretamente o cérebro, que o portador da enfermidade, cedo ou tarde, explodiria com um revólver, ou contra o estacionamento concretado de um prédio comercial. Minha família foi atualizada; fui mandado, sob o pranto inconsolável de mamãe, e de vovó, para a sala de cirurgia. Acordei dia seguinte; era uma bela manhã. Flores balançavam na janela como pênis normais, e vovó segurava minha mão, sorrindo. "Como está, querido?", perguntou-me; sorrindo de volta, disse-lhe um "bom dia, vovó. Tudo bem" e "como...? como foi o...?". "Seu órgão copulatório está ótimo, querido. Não se preocupe. Estivemos todos conferindo, em turnos revezados". Preocupado, falei: "Meu pênis não é mais o Carpinejar?". "Não, querido. Ainda está envolto em gaze, mas todos vimos embaixo, e está tão diferente de Carpinejar quanto um membro masculino pode diferir de Carpinejar", disse, apertando forte a minha mão, a voz embargada. Eu estava aliviado, e repeti, mentalmente: "minha piroca não é mais o Carpinejar". Alvejou-me o entrecorno uma idéia, como um período de um escritor realmente competente, e, aterrorizado, gaguejei: "Houve... diga que não... houve alteração de...?". "Querido, não permita que similares temores preencham sua cabeça, que, pela vermelhidão, ainda deve latejar", e alisou minha testa. "Da pujança e majestade naturais d'antanho, seu pilão em nada se mostra falto. Enquanto dormia, testemunhamos, família e equipe hospitalar, o erguer-se impávido do mesmo, como um frondoso jequitibá, equino farol em felpuda angra, após clinicamente estimulado por uma enfermeira com interesses multidisciplinares na área da putaria franca". Exultamos, pois que tudo correra bem, e minha pica não era mais um escritor sulista.
Aí, ouvi. Era uma vozinha. Vinha das minhas partes pudendas. Era repelente; era ignomniosa. Entrecortava-se, aos pequenos solavancos amigáveis de pura abjeção. Levantei o lençol hospitalar e, costurada ao tronco do meu minarete wândico, notava-se, satisfeita, a cabeça, convalescentemente alegre, de Serginho Groissman.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cordinha:

When routine bites hard,
and ambitions are low,
and resentment rides high,
but emotions won't grow

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Acerca da minha esposa


Ana Foucaultiana ouve Tiê no smart. A. Foucaultiana, minha amada esposa, que foi diarista nos Estados Unidos aos 18, discursa sobre gentrificação e a desterritorialização do corpo, e eu como biscoito de polvilho. Limpo minha boca e digo, A. Foucaultiana, você está ouvindo Tiê, eu, por outro lado, como biscoito de polvilho; é uma tarde invernal, minha amada esposa A. F., e sempre que o tempo está úmido, meu polvilho perde em frescor. A. F. ouve Tiê, e, enquanto ouve Tiê, sorri compadecida, e atualiza-me ainda mais sobre gentrificação e desterritorialização do corpo, enquanto observo que outros no ônibus, dormindo, não ouvem Tiê. Você gostaria de ouvir Tiê no seu smart, pergunta-me Ana Foucaultiana, minha amada esposa. Digo a A. F., se isso tornar meu polvilho mais fresco. Eu poderia, é certo, ouvir Tiê; não há qualquer limitação lógica, digo-lhe, que renda a priori inconcebível ouvir Tiê, e em particular, ouvir Tiê no meu smart, como você por seu turno ouve, no seu próprio smart, Tiê, A. F., minha amada esposa, insto-lhe porém, em que isso afetaria positivamente meu polvilho, cujo frescor encontra-se ora tolhido pela manhã invernal? Eu gostaria de ouvir Tiê, bem como a qualquer compatrício que se assim intitule, digo-lhe, assim como você, sempre, ouve Tiê, embora não no mesmo smart, A. F., minha amada esposa; deparo-me, não obstante isso, com o seguinte cul-de-sac: tão logo se me aparte do polvilho o frescor, só consigo focalizar meus pensamentos em te foder pelos ouvidos. Em te foder pelos ouvidos. A. Foucaultiana, minha esposa. Isto é, lá por onde ora entra Tiê, A. F. minha esposa, e outrossim amada, injetar bem antes, uma ampola de bife pulsante; um quilograma de salame pagão, a socar-lhe de modo reiterado o tímpano, é no que penso. A. F., minha esposa, minha, outrossim, amada, temo contudo que você ouvirá um paf paf paf ensurdecedor, mas agora, enquanto você ouve Tiê, confesso que é nisto o que penso, c'est a dire, em desterritorializar meu mastruço, apenas para reterritorializá-lo em seu canal auricular, A. F. minha amada e esposa, gentrificando-o. Ora, não é suco de rola senão Tiê, o que preenche-lhe, agora, os orifícios, obtempero; ao menos, aqueles presentemente em consideração. A. F. compreende as articulações da minha sexualidade, suas relações estreitas com o polvinho e, inter alia, com Tiê, concedendo que é natural sonhar em preenchê-los, dentre seus orifícios aqueles sob escrutínio, com coisa outra, qual a ordenha do meu terceiro antebraço, ainda se quanto exclui, momentaneamente, a possibilidade de os preencher com, e.g., Tiê. Colidindo, de frente, com um carro, o ônibus derrapa na pista, formando trajetórias circulares; capota, no declive além do acostamento. Meu corpo e, também, o corpo de A. F., é estraçalhado nas ferragens; morremos um pouco como rãs pisoteadas.
O sol retorce a savana, e o pianista está sentando ao piano. Trata-se de um Yamaha Baby Grands Série G, com a tonalidade e dinâmica ressonante abrangente dos pianos de cauda clássicos, uma excelente opção para salas e orçamentos pequenos. O pianista veste um casaco preto cortado na frente, com lapelas em cetim, com longas e finas abas traseiras, com calças pretas com duas faixas laterais, no mesmo material da lapela, com terminação traseira em "v", camisa branca gomada com frente lisa, um colarinho alto e gomado com botões de punho e laço branco, além de um colete branco de corte baixo, do mesmo material da camisa e laço, cortado por cima da linha de cintura do casaco, meias pretas de seda, e um sapato clássico preto de verniz. O sol causa-lhe desconforto. Entendiado há vários dias, vê quando macacos se aproximam e de pronto lembra de uma velha composição, registrada em notação pendereckiana, num papelote, bastante fudidaço, perdido no bolso da lapela, executando assim a canção. Os macacos batem punheta. Longe dali, o restante da população terrestre, ademais, bate punheta. Sob inspeção atenta, a inesperada sincronia revela-se banal e fortuita: aquela era a inauguração do Dia da Punheta no mundo, tão-somente. Anoitece e as estrelas sopram seu hálito frio no deserto. Foda-se.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014


Dois excertos de "Ficando longe do fato de já estar meio longe de tudo", de Foster Wallace, que dia desses decidiu se balançar sem as mãos da forma mais popular na Coréia do Norte. Lembram às vezes como a ironia e em particular a auto-ironia, por tabela o senso de ridículo, eram as últimas barreiras impedindo um pentelho standard de resvalar como um poodle eufórico on meth no grande oceano excrementício do narcisismo moral. O fim da ironia libertou do ridículo não só o selfie, simpliciter, como também o selfie moral, atual justificativa a priapus- digo, a priori e universal para qualquer interferência prática na integridade retal alheia, consoante o ilustra a parábola do post anterior. Tradução do nosso grande escritor brasileiro, Daniel Galera, tão perfeitamente intercambiável com Graciliano, João Cabral de Melo, Machado e Campos de Carvalho que, se efetivamente substituído por um deles, nem sua mãe notaria a diferença (deixo para o Luís Fernando, outro monstro sagrado, o desenvolvimento dessa cena repleta de deliciosas ressonâncias absurdas).

I

"O som é ao mesmo tempo humano e desumano o bastante para eriçar os pelos. Dá para ouvir esse suíno em apuros de uma ponta a outra do Pavilhão. Os suinocultores profissionais ignoram o porco, mas nós vamos correndo ver e Acompanhante Nativa começa a falar com uma vozinha aflita de bebê até que eu a mando ficar quieta. Os flancos do porco estão arfando; ele está sentado como um cão, com as patas da frente tremendo, berrando horrendamente. Nem sinal do tratador do porco. Uma pequena placa na gaiola informa que se trata de um suíno da raça Hampshire. Está com problemas respiratórios, é evidente: minha suspeita é que tenha engolido serragem ou excremento. Ou vai ver que simplesmente não atura mais o fedor aqui dentro. Agora as patas dianteiras entortam e ele fica de lado tendo espasmos. Assim que consegue reunir fôlego suficiente, berra. É insuportável, mas nenhum dos agropecuaristas vem saltando por cima das gaiolas para prestar socorro ou algo assim. Acompanhante Nativa e eu estamos literalmente retorcendo as mãos de aflição. Ficamos fazendo barulhinhos plangentes para o porco. Acompanhante Nativa me manda sair atrás de alguém em vez de ficar ali com cara de cu. Sinto um estresse enorme — fedor nauseabundo, compaixão impotente, e além disso estamos atrasados no cronograma: estamos perdendo neste exato momento os Bodes Pigmeus Júnior, o Concurso Filatélico no Prédio de Exposições, uma Exposição de Cães da 4-H num lugar chamado Clube do Mickey D, as Semifinais do Campeonato de Queda de Braço do Meio-Oeste no Palco Lincoln, um Seminário de Acampamento para Mulheres e as primeiras etapas do Torneio de Fundição Rápida lá no misterioso Mundo da Preservação. Uma tratadora de suínos acorda sua porca a chutes para poder acrescentar serragem na gaiola; Acompanhante Nativa produz um ruído de angústia. Fica claro que há exatos dois defensores dos Direitos dos Animais nesse Pavilhão Suíno. Ambos podemos observar certa perícia carrancuda e insensível na conduta dos agropecuaristas aqui presentes. Um exemplo acabado da alienação-espiritual-da-terra-enquanto-fábrica, postulo. Mas por que se dar ao trabalho de criar e treinar e cuidar de um animal especial e trazê-lo sei lá de onde até a Feira Estadual de Illinois se você não está nem aí para ele?

Então me ocorre que comi bacon ontem e que neste exato momento estou louco pelo meu primeiro cachorro-quente empanado. Estou aqui retorcendo as mãos por causa de um porco em apuros e em seguida meterei um cachorro-quente empanado goela abaixo. Isso está ligado à minha relutância em ir correndo até um suinocultor e exigir que pratique ressuscitamento de emergência com esse Hampshire agonizante. Meio que posso prever o jeito com que o fazendeiro iria olhar para mim.

Não que seja profundo, mas me impressiona, em meio aos berros e resfôlegos do porco, o fato de que esses agropecuaristas não enxergam seus animais como bichos de estimação ou amigos. Apenas atuam no agronegócio do peso e da carne. Estão desconectados até mesmo aqui na Feira, nesta ocasião autoconscientemente Especial de conexão. E por que não, talvez? — mesmo na Feira, seus produtos continuam a babar, feder, ingerir os próprios excrementos e berrar, e o trabalho continua sem parar. Posso imaginar o que os agropecuaristas pensam de nós enquanto falamos carinhosamente com os suínos: nós, Visitantes da Feira, não precisamos lidar com a tarefa de criar e alimentar nossa carne; nossa carne simplesmente se materializa na banquinha de cachorro-quente empanado, permitindo que separemos nossos apetites saudáveis de pelos, berros e olhos revirados. Nós, turistas, podemos nos dar ao luxo de cultivar nossos sentimentos ternos de defensores dos Direitos dos Animais com nossas panças cheias de bacon. Não sei quão aguçado é o senso de ironia desses fazendeiros, mas o meu foi afiado na Costa Oeste e me sinto meio que um panaca no Pavilhão Suíno".

II

“Você ouviu aquele comentário que o Rei do Zíper fez?”, digo. Ela pôs a mão no meu cotovelo e está me ajudando a subir pela grama escorregadia do morro. “Detectou algo meio sexualmente assediante rolando nesse exercício perverso?”
“Ah mas que porra é essa Lesma foi divertido.” (Ignorem o apelido.) “O fiadaputa fez a cabine girar dezoito vezes.”
“Estavam olhando por baixo do seu vestido. Acho que você não podia ver. Penduraram você de cabeça pra baixo numa altura enorme, fizeram seu vestido cair e te comeram com os olhos. Protegeram a vista do sol e trocaram comentários. Vi tudo.”
“Ah, que porra é essa.”
Escorrego um pouco e ela pega no meu braço. “Então isso não te chateia? Como uma cidadã do Meio-Oeste, você não está chateada? Ou você simplesmente não teve uma percepção rigorosa do que estava acontecendo ali?”
“Independente de eu ter reparado ou não, por que tem que ser um problema meu? Então é assim, já que existem babacas no mundo eu não posso andar n’O Zíper? Nunca vou poder girar? Talvez seja melhor eu nunca ir à piscina ou nunca me arrumar pra sair por medo dos babacas?” Ela continuava corada.
“É que fico curioso pra saber, então, o que seria necessário ali pra te convencer a apresentar alguma espécie de queixa à gerência da Feira.”
“Você é inocente pra caralho, Lesma”, ela diz. (O apelido é uma longa história; ignorem.) “Babacas não passam de babacas. De que adianta eu ficar braba e aborrecida? Só vai arruinar minha diversão.” Ela fica com a mão no meu cotovelo esse tempo todo — essa ladeira é sacana.
“Isso é potencialmente relevante”, digo. “Pode ser exatamente o tipo de contraste político-sexual regional que interessa à revista classuda da Costa Leste. O valor essencial que conforma uma espécie de estoicismo político-sexual voluntário da sua parte é uma compreensão da diversão prototípica do Meio Oeste —”
“Me compra uns torresmos, seu bosta.”
“— enquanto na Costa Leste a indignação político-sexual é a diversão. Em Nova York, uma mulher que tivesse sido pendurada de cabeça para baixo e comida com os olhos reuniria um monte de outras mulheres e haveria um frenesi de indignação político-sexual. Elas confrontariam o cara que comeu a outra com os olhos. Ajuizariam uma ação. A gerência se veria envolvida num litígio custoso — violação do direito de uma mulher à diversão livre de assédio. Estou falando sério. Para as mulheres, a diversão pessoal e a diversão política se misturam em algum ponto ao leste de Cleveland.”
Acompanhante Nativa mata um mosquito sem nem olhar para o bicho. “E naquelas bandas todas tomam Prozac e enfiam o dedo na goela, também. Deviam tentar simplesmente subir, girar e ignorar os babacas, dizendo Eles que se fodam. É o máximo que se pode fazer a respeito de babacas.”
“Isso pode ser crucial.”




"Duas mulheres sofreram um grave acidente por causa de uma selfie vídeo ao volante no Irã". Eu amo o século XXI.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Excerto do Corpúsculo num Plano. Feliz Wesak.

'(...) o Instituto Internacional de Pesos e Medidas cogitou definir o metro, essa fantástica unidade de medida, como o comprimento de sua queda ao tropeçar bêbado diariamente no batente do bar às 3:25 a.m., quando cambaleia de volta para casa. Diz-me que é um ex-cirurgião-dentista viúvo; que sua esposa, tragada pelo turbilhão irresistível do sedentarismo e abuso nutricional pós-marital, dilatara até implodir e se tornar um buraco negro, consumindo em seu avassalador vórtex gravitacional a casa e toda a vizinhança; carros, árvores, vacas, crianças, ruas, prédios – dela nada escapara. “Meu amigo, onde você enxerga um fim, eu vejo um recomeço; uma nova oportunidade”, disse-lhe. “Que quer dizer?”. “Você já tentou falar com ela depois do incidente?”. “Não... eu... Eu não sei bem como lidar com corpúsculos de convergência espaço-temporal...”. “Bem, você podia tentar reatar com ela. Só precisa saber falar com jeito. Fale com esse cara, ele sabe tudo sobre buracos negros”. Escrevi o nome ‘Stephen Hawking’ num pedaço de papel. “Obrigado. Como posso agradecer? Deixe-me pagar uma bebida”. “Sim. Tudo bem. Ando precisando de algo melhor que sangue em minhas veias”. Sem conversar seguimos, passo a passo, entre as formigas, vendo as almas convalescentes das enfermeiras prostradas e incapazes de erguer o corpo lasso. Seriam seus bustos siliconados com um novo metal, de massa atômica superior?, ocorria-me. Ouvindo esses ruídos distantes; indiferentes aos chamados suplicantes, o chão trepidava; o ruído e o fluxo distante; as silhuetas fracionadas de fantasmas anônimos acelerando até a colisão, em um sonho indistinto, buzinando espectralmente além da membrana da existência.

Bebemos a noite inteira, numa taverna antagônica à vida baseada em carbono, onde psicopedagogas ovulantes e talk-show hosts intuicionistas browerianos encontravam-se a cada solstício de inverno para o imemoral ritual de cortejo centrado no bukkake, esse fascinante legado da punição medieval que instancia a relação afetiva do swing com cumshot, R(x,y) = “x ejacula na face de y”, numa função constante “x ejacula na face de c”, tal que x é todo concidadão motumbo produtor de mingau e c é uma meretriz dissoluta. O cumshot monogâmico pode ser destarte interpretado como um bukkake com domínio unitário e, similarmente, cumshots com parceiros monogâmicos distintos, no transcurso da vida afetiva de uma potrinha sapeca standard, configuram um bukkake serial. Às 3:25 saímos e ele tropeçou, com agressiva pontualidade, aquele fregeano magnificente. Entoamos velhos cânticos gaélicos, sob o céu nas ruas estreitas, como os sucessos “O que você fez com a minha aspirina, Jacó?”, “Implicações forenses da auto-inserção uretral como mesura alternativa” , “Aspectos psico-sociais da insônia entre divorciados”, “Seus pêlos pubianos danificaram o meu barbeador elétrico, cortesã licenciosa” e “A remoção do meu testículo esquerdo trouxe danos à minha vida conjugal”. Aproximadamente 100 bilhões de estrelas eram o nosso público aquela noite fria e contigencial, naquela instanciação randômica de Praga. Esgueiravam-se pela cidade os Hlodavci, Jejichž Záliba Barbarství Není a Priori Vyloučeno (Roedores cuja Inclinação à Selvageria Não É, a Priori, Inconcebível), assessores de imprensa descontrolados sondando a área como implacáveis lobos de Gutenberg, farejando o medo no rastro dos Domov a Zničení, os clubbers agoráfobos do subúrbio. Por um momento, compreendi a mania de perseguição de um escritor chamado Franz Kafka. E, quando já fraquejávamos, perdidos numa encruzilhada apenas parcamente iluminada por uma lâmpada fraca que falhava, uma pequena fada madrinha apareceu e, com um passe de mágica, nos imunizou contra a varíola.

Eu me tornei mais e mais consciente dos efeitos nocivos de certas comidas industrializadas. Do excesso de conservantes; do excesso de substâncias cardiopáticas e cancerígenas. E agora, escolhendo na prateleira do supermercado a combinação certa de produtos que ocasionem o menor risco à minha próstata, sou preenchido por essa sensação de completude; de eternidade. Era um novo portal para a transcendência. Eu alcancei o nirvana. À noite, recebo uma ligação de Buda. Ele me parabeniza e me convida para a festa de lançamento do seu romance sobre sprays bronzeadores, mas sua mansão é invadida pela máfia siciliana e ele é fuzilado. Sua cabeça, atirada dentro de um vulcão, em rede nacional; seu corpo, doado para uma conhecida fábrica de biscoitos. Sua alma, dissolvida em um barril de fezes, suco gástrico, ácido butenodióico, gasolina, escorrência menstrual, ketchup e muco. Em vão tentara esquecer a convoluta solidão do seu peristaltismo retal. Minha clareza uma nuvem de estática, uma cintilação na neblina que turva a várzea'

sábado, 29 de março de 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"Um grupo de aspirantes a homem-bomba foi morto nesta segunda-feira nas proximidades de Bagdá quando o instrutor se confundiu e apertou o botão de um cinto carregado de explosivos, segundo informações do exército e da policia iraquianos".


fonte

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Para a página da revista O Nariz de Van Gogh no feicifuck; entrarei com textos, ilustrações e quadrinhos; versão tangível será lançada em breve, em SP

domingo, 22 de setembro de 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nova edição

É com enorme, espesso, pulsante, frondoso, facialmente estapeante prazer que relanço para vocês, cyber-surfistas da interwebs e de toda a Miguxolândia Orkutofederativa (ex-Brasil), o Corpúsculo num Plano em miguxês. Fruto ímpio e francamente repulsivo de minhas torturadas, graves introspecções beletristas de soturno homme de lettres, o livro está disponível em pdf nesse link. Admito que, conquanto proclive ao miguxo arcaico, findei optando pelo miguxo contemporâneo; estoutro, a meu ver, penetra de modo mais completo e lubrificado no zeitgeist cu-toral do novo leitor facebookiano.

Confira, serelepe e festivo, logo abaixo, um seboso excerto do retro-arrolado certame, e acaso lhe acosse como uma velha e resiliente oxiurose ou icterícia medicamentosa a temeridade de lê-lo em papel, no velho português deficitário em gala esofágica, o livro tangível pode ser comprado aqui, ou roubado do pé das portas que tem ajudado liricamente a escorar:

"kUm TOdah a SUAH TenDEnciaH A aGluTINAXXaUM HIeRArkICAh...EStrutuRAU...MSm U joGU DAh HumAnIdaDi APrEsentAh fAlhaxXx; LaCunAxXx eSPOradicaxXx NaH redI UbIkaH DI KOnexXxoexXx socIaixXx...ondi ExXxPErIMEnTaMuxXx exXxIsti Forah DAH ebUliXXauM antROpIcah...Em aUtoXXUfICiEnciAh...... vUxXxe podI TAH numAH RodOviARIah...Alem Du ExXxPeDiEntI NOrmAU; NuM klUbe DISeRtu; NU EsTaCioNaMENtu Di 1 dRiVi-in; TaRdI dAH nOitI...nUMaH EstaXXaum eNTRe sauM PAUlU I riu DI jANEiRu...iNSulAdAh PoR PradariaxXx sEm fiM...... EH komU TAH MorTU...... a seNsAXXAUM eH Di cERTU aLIviU...deVi-SI admITI...... eNfIM...nauM eh TaUm gravi...... U dIah KOMeXXAh A amaNHecE nU intErIor......"

"GoREti SI voLtaH i ME vE...... nAuM mE KUMprimeNTah; kontInuU a sIguI-LAh...SeM moTivu...... UxXx pRediUxXx formAm padROExXx MonoToNUxXx KONtRAh U Ceu...VAziu dI NUvenxXx...... FiCAmuxXx ALgunxXx MInUTUxXx NiXXU...I kOMEXXah a sE EMBaRaXXOSu; resOlvU xXxAMaH-lAH......

- GoRETI!!!!! – gRitU...aCEnAnU......

GOreti PArAh nAH EsKinAh I sI VOLTaH...... vow Me AproxXximAnU PeLah kalXXADah......

- oi.................. I eNTAuM??!?!..................vUxXxe..................??!?! – NAuM ME ocORRe NadAh...... – ..................TudU bem??!?!

elAH Ri KONSTRaNGIdAH i fAlaH SEKencIAxXx rapiDaxXx DI KOisINHAxXx...Ki nAUm SAuM Bem pALaVrAxXx......

- tAH fazENu U KE??!?!

"A imaGi dah ViaH laCTeAh eH paRTicuLArmEntI REiNCiDEnti; a GaLAxXxiAH espIrALAnu Em SILEnCiu Prah dentru Di sI Msm; esCoANU pRAH akeLE BuRacu negRU nU ceNTrU...PaRadeENHU laH komU 1 bocaH sEm faci...inUmanAh I PaciENTI...... A rAdIaXXaUM inviSiVEu OCuPaH I ENvEnEnaH u VAcUu...elimInanu A poXXIBiLIdAdI DI VidAH......"